
O senador Efraim Filho (PL) mandou um recado direto ao prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSDB): a direita paraibana está de portas abertas para ele. A declaração foi dada nesta sexta-feira (16), em entrevista de rádio, e reforça o movimento de aproximação entre o grupo de oposição ao governo estadual e o comando da capital.
Ex-candidato ao Governo da Paraíba, Efraim confirmou que existe diálogo com o prefeito e apresentou o argumento central da conversa: o alinhamento com um eventual governo federal comandado por Flávio Bolsonaro.
O argumento de Brasília
Para o senador, Leo Bezerra pode ganhar protagonismo político caso Flávio vença a eleição presidencial no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A lógica é administrativa: um prefeito afinado com o Planalto teria, segundo Efraim, mais facilidade para abrir portas nos ministérios.
“Léo, por exemplo, ano que vem, como prefeito, ele quer ir à Brasília ser recebido nos ministérios”, afirmou o senador.
Efraim, no entanto, evitou tratar a decisão como simples. Na avaliação dele, qualquer caminho que o prefeito escolher — neutralidade, apoio a Lula ou apoio a Flávio — traz vantagens e desvantagens, e a escolha passa por decisão e estratégia.
Espaço cada vez menor na esquerda
O ponto mais forte da fala de Efraim foi a leitura de que o espaço de Leo Bezerra no campo da esquerda está cada vez mais restrito. Como pano de fundo, o grupo governista já avalia lançar o senador eleito João Azevêdo (PSB) à Prefeitura de João Pessoa, enquanto o ex-governador Ricardo Coutinho aparece como nome cotado pelo PT para disputar a capital.
Com dois nomes de peso do campo governista e da esquerda de olho na cadeira, a reeleição de Leo dependeria de uma composição que, hoje, parece mais difícil desse lado. É exatamente essa brecha que a direita tenta ocupar.
Leo entre gestão e palanque
O aceno chega poucos dias depois de Leo Bezerra cumprimentar o governador reeleito Lucas Ribeiro e afirmar que a Prefeitura precisa da parceria com o Governo do Estado. Na ocasião, o prefeito procurou separar a relação administrativa das escolhas de palanque no segundo turno presidencial.
Ou seja, Leo vem sendo disputado por dois lados ao mesmo tempo: pelo governo estadual, que sinaliza parceria administrativa, e pela direita, que oferece a perspectiva de uma ponte com Brasília caso Flávio seja eleito.
Leitura do Jogo
O movimento de Efraim tem dois alvos. No curto prazo, tenta atrair o prefeito da maior cidade do estado para o palanque de Flávio na reta final do segundo turno. No médio prazo, mira 2028: com João Azevêdo e Ricardo Coutinho no radar do campo governista e da esquerda, a direita se oferece como o abrigo natural para um projeto de reeleição de Leo.
A decisão, porém, está nas mãos do prefeito, que até aqui tem preferido calibrar gestos e manter canais abertos com todos os lados. O resultado nacional de 25 de outubro deve pesar — e muito — na escolha.