Especialistas comparam Gilberto Kassab a jogador de cartas, com “mão cheia” para as eleições de 2026, buscando influência e não necessariamente a vitória presidencial.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, adota uma estratégia comparada por especialistas a um jogo de cartas, onde ele mantém suas melhores opções “na manga” enquanto aguarda os movimentos dos adversários.
Com um time de governadores de peso filiados à sigla, Kassab busca aumentar o poder de barganha do PSD nas próximas eleições, sem blefar, mas sim articulando para garantir a relevância do partido no cenário político nacional.
Essa abordagem, segundo analistas, visa não necessariamente vencer a corrida presidencial, mas garantir que o PSD esteja no centro das decisões, influenciando o resultado final. As informações são de especialistas em marketing político e eleitoral. Conforme apurado, a estratégia de Kassab é manter o partido com múltiplas opções e flexibilidade para alianças.
O Trio de “Presidenciáveis” e a “Geometria Variável” do PSD
O PSD conta atualmente com três governadores considerados pré-candidatos à Presidência da República em 2026: Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). A filiação de Caiado ao partido, em janeiro deste ano, reforçou o capital político da sigla. Há um ano, Ratinho Junior era o principal nome cotado.
A estratégia de Kassab, segundo o professor e consultor de marketing político Marcelo Vitorino, é a “geometria variável”. Isso significa que o PSD não concentra suas fichas em um único nome, mas distribui seu poder de influência em diversas frentes. “Se o vento estiver soprando para a esquerda, o PSD será de esquerda. Se estiver soprando para a direita, será de direita. Não é ideologia, é sobrevivência política”, explica Vitorino.
Apesar de ter múltiplos pré-candidatos, o partido descarta a realização de prévias internas para a escolha do nome que liderará a chapa presidencial. Kassab aposta na articulação política, buscando coligações e a troca de apoio por espaços no governo federal e em governos estaduais.
O Plano “A” Frustrado e a Força dos “Palanques Estaduais”
Um plano inicial de Kassab envolvia a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência. No entanto, essa possibilidade foi frustrada pela influência de Jair Bolsonaro e pela disputa por espaço político em São Paulo. Kassab também ocupa a chefia da Secretaria de Governo e Relações Institucionais na gestão de Tarcísio.
A força do PSD, segundo Vitorino, reside na articulação de Kassab e na capilaridade do partido, que detém um número expressivo de governadores e prefeituras no país. “O que o Kassab está fazendo é palanque estadual, o que é muito importante para a disputa presidencial”, afirma Vitorino.
Com 885 prefeituras conquistadas nas últimas eleições municipais, o PSD demonstra uma forte base em todo o território nacional. A estratégia de “palanques estaduais” permite que Kassab mobilize governadores, prefeitos e parlamentares em favor do partido, criando uma base sólida de apoio.
Kassab Busca Influência e Decisão nas Eleições de 2026
Os governadores Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, que estão em fim de mandato e com alta aprovação, possuem capital político para influenciar eleitores em seus estados. A legislação eleitoral exige que governadores que disputarão outros cargos deixem a cadeira até 4 de abril.
O PSD também disputará a reeleição em governos estratégicos como Sergipe e Pernambuco, buscando consolidar sua presença no Nordeste. A filiação do vice-governador mineiro Mateus Simões ao PSD, no ano passado, reforça a estratégia de Kassab em estados decisivos como Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.
Marcilene Maia, especialista em marketing político, destaca que Kassab mantém a “capilaridade política” ao organizar esses palanques estaduais. “Esses governadores podem atuar como grandes líderes que somam, ampliam a base eleitoral e fortalecem alianças nos estados. Isso tem peso em uma eleição presidencial”, ressalta Maia.
Mesmo sem conseguir romper a polarização atual, Kassab terá, ao final de outubro, “cartas suficientes nas mãos” para que o apoio do PSD seja decisivo na escolha do próximo presidente. A estratégia é não fechar posição antecipadamente e chegar ao segundo turno com força política para ser indispensável.