
A quatro dias do 2º turno, marcado para domingo (25), a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passou a girar em torno de três temas: a troca de desafios sobre sigilos bancário e telefônico, a mudança nos índices de rejeição e a incerteza sobre o último debate, previsto para sexta-feira (23) na TV Globo.
A guerra dos sigilos
O tema nasceu no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou o adversário a abrir os próprios sigilos. Na terça-feira (20), a defesa do presidente pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a abertura dos dados de Lula, com a liberação condicionada a um gesto igual de Flávio.
Nesta quarta-feira (21), em evento de campanha em São Paulo, Flávio respondeu. Disse que aceita abrir o sigilo telefônico desde que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, faça o mesmo. O candidato do PL também cobrou a abertura de dados de familiares do presidente, das contas do Instituto Lula, dos gastos com cartões corporativos da Presidência e dos registros de visitas ao Palácio da Alvorada. Flávio classificou o desafio do adversário como “fake”.
O debate de sexta em dúvida
O último encontro entre os dois está marcado para sexta-feira (23), às 21h20, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli. Em ato de campanha em Juazeiro (BA), na terça, Lula afirmou que “vai ter debate” se Flávio apresentar um documento autorizando a quebra dos sigilos. Até a publicação desta matéria, as duas campanhas não haviam anunciado mudança na participação.
Rejeição em movimento
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostrou estabilidade na intenção de voto e mudança na rejeição. Flávio tem 45% e Lula, 44% — empate técnico dentro da margem de erro. A rejeição de Lula caiu de 53% para 47% em uma semana; a de Flávio passou de 54% para 52%.
Outras pesquisas registradas e divulgadas no mesmo dia seguem o mesmo retrato de disputa apertada. Na Palver, Flávio tem 50% e Lula, 48%. Na Futura/100% Cidades, Flávio soma 51,1% dos votos válidos e Lula, 48,9%. Na Meio/Ideia, o placar dos votos válidos também é de 51,1% a 48,9%. Em todas, a diferença está dentro da margem de erro.
Leitura do Jogo Político
Com nenhum candidato fora da margem de erro, a reta final virou uma disputa de narrativas. A campanha de Lula aposta na queda da rejeição para buscar a virada e usa o tema dos sigilos para pressionar o adversário. A de Flávio devolve o desafio com novas exigências e tenta manter a vantagem numérica que aparece na maioria das pesquisas. O debate de sexta, se acontecer, é a última grande vitrine para os indecisos — e a dúvida sobre ele já virou parte da estratégia dos dois lados.
No Nordeste, onde a Paraíba está, as pesquisas mostram Lula com ampla vantagem, enquanto Flávio lidera no Sul e no Centro-Oeste. Por isso, a mobilização e o comparecimento nas duas regiões tendem a pesar no resultado de domingo.
Ficha técnica das pesquisas citadas
- Quaest: contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo; registro no TSE BR-08535/2026; 2.154 entrevistas de 17 a 20 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; nível de confiança de 95%.
- Palver: feita com recursos próprios; registro no TSE BR-04612/2026; 5.000 entrevistas online de 18 a 20 de outubro; margem de erro de 2,4 pontos percentuais; nível de confiança de 95%.
- Futura/100% Cidades: feita com recursos próprios; registro no TSE BR-06614/2026; 2.000 entrevistas por telefone em 19 e 20 de outubro; margem de erro de 2,2 pontos percentuais; nível de confiança de 95%.
- Meio/Ideia: contratada pelo Meio; registro no TSE BR-08251/2026; 1.500 entrevistas de 15 a 19 de outubro; margem de erro de 2,5 pontos percentuais; nível de confiança de 95%.