
Quem esperava uma dança das cadeiras ampla no Governo da Paraíba depois da reeleição pode tirar o cavalo da chuva. O governador Lucas Ribeiro (PP) afirmou nesta quinta-feira (15), em entrevista ao programa Meio-Dia Paraíba, da rádio Pop FM, que não pretende fazer uma reformulação profunda na equipe para o novo mandato.
Segundo o governador, os ajustes serão pontuais e ligados ao planejamento da gestão. “A gente não tá aqui fazendo uma virada, virando a mesa de cabeça pra baixo, não é isso”, resumiu.
Nonato Bandeira na mira da permanência
Um dos nomes que Lucas quer segurar é o do jornalista Nonato Bandeira, titular da Secretaria de Estado da Comunicação Institucional (Secom). Na entrevista, o governador admitiu que está trabalhando para convencê-lo a continuar no cargo. “Tô convencendo o Nonato aqui”, brincou.
Nonato comanda a comunicação do Estado desde agosto de 2019, quando foi escolhido pelo então governador João Azevêdo (PSB). Com trajetória longa na imprensa paraibana, ele atravessou a transição entre João e Lucas e é visto como uma peça de continuidade dentro do Palácio da Redenção. A decisão final, porém, ainda não foi anunciada.
Prazo: equipe arrumada até 5 de janeiro
De acordo com o que o governador sinalizou, a ideia é chegar ao início do novo mandato com a estrutura administrativa organizada. A meta é ter a equipe definida até 5 de janeiro, às vésperas da posse.
A declaração acontece na mesma semana em que Lucas anunciou que vai reunir os secretários para definir as prioridades dos últimos três meses de 2026, mantendo o que chamou de “ritmo acelerado” da gestão.
Leitura do Jogo: estabilidade como estratégia
O recado de Lucas tem duas direções. Para dentro do governo, sinaliza estabilidade: secretários e equipes técnicas não precisam temer uma troca em massa, o que ajuda a manter projetos em andamento. Para fora, esfria a corrida de aliados por espaço na nova composição, uma disputa que costuma esquentar logo depois de uma vitória eleitoral.
Reeleito no primeiro turno com 64,41% dos votos válidos, o governador chega ao segundo mandato com capital político de sobra para fazer mudanças, se quisesse. Ao optar por ajustes pontuais, mostra que aposta na continuidade de um time que já conhece a máquina e que esteve ao seu lado desde a transição.
Isso não significa que o secretariado ficará congelado. Ajustes pontuais podem envolver trocas em pastas específicas e a acomodação de partidos da base, que cresceram nas urnas. Mas o tom adotado pelo governador indica que qualquer movimento será gradual e negociado.
O que observar nas próximas semanas
Até a posse, três pontos merecem atenção: a resposta de Nonato Bandeira ao convite para ficar, os primeiros anúncios de mudanças pontuais no secretariado e o espaço que os partidos aliados vão ocupar no novo desenho do governo. O Jogo Político PB acompanha cada movimento.