Arte do Jogo Político PB com Ricardo Coutinho: Ricardo admite que a esquerda se acomodou na Paraíba e não fecha a porta a Hugo Motta

Ricardo Coutinho diz que esquerda “se acomodou” e não fecha porta a Hugo Motta

Ricardo Coutinho admite que a esquerda se acomodou diante do avanço da direita na PB e diz que pode apoiar Hugo Motta na Câmara se Lula indicar.

Resumo

Ricardo Coutinho, deputado federal eleito pela Paraíba

Eleito deputado federal pelo PT com a segunda maior votação da Paraíba, o ex-governador Ricardo Coutinho fez nesta semana uma leitura dura do próprio campo político. Em entrevista de rádio, ele afirmou que os aliados do presidente Lula “se acomodaram” e não reagiram à altura ao crescimento da direita no estado durante a eleição de 2026.

Em outra conversa, também no rádio, Ricardo foi além e admitiu que pode votar pela recondução do paraibano Hugo Motta (Republicanos) à presidência da Câmara dos Deputados — desde que essa seja a orientação do presidente Lula.

“A gente se acomodou”

Ao analisar o resultado das urnas na Paraíba, Ricardo apontou o desempenho expressivo de candidatos do PL. Entre os exemplos citados está o deputado Cabo Gilberto Silva, o mais votado para a Câmara Federal no estado, além da votação alta de Nilvan Ferreira na disputa pela Assembleia Legislativa.

Para o ex-governador, faltou mobilização. Ele lembrou que a volta dos jovens às ruas foi um dos fatos mais importantes do processo, mas disse que esse movimento não se sustentou com a mesma força. “Você não teve nenhuma manifestação da juventude”, afirmou. Segundo ele, só depois do resultado do primeiro turno houve a percepção de que era possível ter feito mais — o que ele descreveu como uma “água fria na cabeça”.

Porta aberta para Hugo Motta

Sobre a disputa pela presidência da Câmara, marcada para fevereiro de 2027, Ricardo deixou claro que vai seguir o presidente. “Eu vou apoiar o candidato do presidente Lula”, disse. Ele reconheceu que já fez críticas públicas a Hugo Motta, mas não descartou apoiar a reeleição do paraibano caso essa seja a indicação do Planalto.

O ex-governador contou ainda que Motta telefonou para parabenizá-lo pela vitória nas urnas e que os dois combinaram um encontro. “Ficamos de sentar e conversar, fazer uma análise de conjuntura”, relatou. Segundo Ricardo, a ligação não tratou da eleição da Mesa da Câmara, e não há, por enquanto, nenhum compromisso formal de voto.

Leitura do Jogo

As duas falas mostram um Ricardo Coutinho que volta a Brasília com dois papéis. No plano local, ele assume a voz de autocrítica da esquerda paraibana e sinaliza que o PT precisará se reorganizar para enfrentar uma direita mais forte nas próximas disputas, sobretudo em 2028, nas eleições municipais.

No plano nacional, o tom é pragmático. Ao condicionar o voto à orientação de Lula, Ricardo evita criar atrito numa disputa que o governo federal ainda vai calibrar — especialmente depois que Hugo Motta passou a reunir apoio formal de vários partidos para continuar no comando da Casa. Para a bancada paraibana, a eventual convergência entre Ricardo e Motta teria peso simbólico: dois nomes de campos distintos alinhados em torno de um conterrâneo na presidência da Câmara.

O próximo capítulo depende do resultado do segundo turno presidencial, em 25 de outubro, e da articulação que o Planalto fizer com o Congresso a partir de novembro. Até lá, a conversa prometida entre os dois deve ser acompanhada de perto nos bastidores da política paraibana.

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