
A três dias da eleição, o Instituto Data Ranking, em parceria com a Fonte83, divulgou na quarta-feira (30) a pesquisa espontânea para deputado estadual na Paraíba, com os 27 nomes mais citados. Quando o eleitor cita o nome sem ver nenhuma lista, quem aparece na frente é Eduardo Carneiro, com 5,6%. Em seguida estão o presidente da Assembleia, Adriano Galdino, com 5,4%, Felipe Leitão, com 5,2%, e Wilson Filho, com 4,9%.
Os 12 nomes mais citados
- Eduardo Carneiro: 5,6%
- Adriano Galdino: 5,4%
- Felipe Leitão: 5,2%
- Wilson Filho: 4,9%
- Nil Mendes: 4,8%
- Tanilson Soares: 4,6%
- Hervázio Bezerra: 4,5%
- Wallber Virgolino: 4,3%
- Dr. Jarques: 4,1%
- Olívia Motta: 3,8%
- Júnior Araújo: 3,7%
- Cida Ramos: 3,5%
Análise: um pelotão, não uma fila
A primeira leitura de quem olha a tabela é procurar o líder. A leitura mais útil é outra: entre o 1º e o 12º colocado, a diferença é de 2,1 pontos percentuais, praticamente a margem de erro da pesquisa, que é de 2,2. Na prática, não existe uma ordem estatisticamente definida dentro desse grupo. Existe um pelotão de doze nomes embolados, e a ordem final nas urnas vai depender muito mais de fatores que a pesquisa espontânea não captura.
O principal deles é o sistema proporcional. A Paraíba elege 36 deputados estaduais, e as cadeiras são distribuídas primeiro entre partidos e federações, pelo quociente eleitoral. Só depois entram os nomes mais votados de cada chapa. Por isso, um candidato com boa citação em um partido que faz poucos votos no total pode ficar de fora, enquanto outro, menos lembrado, entra puxado pela força da legenda. A pesquisa mede lembrança de nome. A urna mede voto de chapa.
O limite da pesquisa espontânea
Há ainda um efeito conhecido de quem estuda comportamento eleitoral: a pesquisa espontânea favorece candidatos com visibilidade em todo o estado e tende a subestimar quem tem voto concentrado em uma região ou em um grupo de municípios. É o caso de muitos deputados que constroem a base em poucas cidades, com trabalho de longo prazo, e que costumam render nas urnas mais do que aparecem em levantamentos estaduais. O inverso também vale: nomes muito conhecidos na capital podem ter uma citação alta que não se converte em votos distribuídos de forma eficiente.
É por isso que a segunda metade da lista, do 13º ao 27º lugar, merece atenção. Ali estão Tovar (3,3%), Nilvan Ferreira (3,1%), Diego Tavares (2,9%), Danielle do Vale (2,6%), Camila Toscano (2,4%), Chico Mendes (2,1%), Bosco Carneiro (1,7%), Maria Porto (1,5%), Anísio Maia (1,4%), Dra. Jane Panta (1,3%), Galego Souza (1,3%), Branco Mendes (1,1%), Vitor Hugo (0,9%), Dinho Dowsley (0,8%) e Cilinha Dias (0,6%). Vários desses nomes têm bases regionais fortes e uma lógica de votação que a pesquisa espontânea mede mal. Vitor Hugo, que aparece na lista, teve a candidatura indeferida pelo TRE-PB e anunciou apoio a Hervázio Bezerra.
Outro número que ajuda a dimensionar o cenário: 4,8% disseram que não votarão em ninguém e 11,7% não souberam ou não responderam. Somados, são mais de 16% do eleitorado sem um nome em mente a três dias da eleição. Em disputa proporcional, esse eleitor costuma decidir na reta final, muitas vezes por indicação de liderança local, familiar ou do próprio partido.
O que observar no domingo
Três perguntas ajudam a ler o resultado de domingo (4). A primeira é quais partidos e federações vão atingir o quociente com folga e quais vão depender de sobras. A segunda é como os candidatos com votação regionalizada vão se comportar frente aos que têm presença em todo o estado. A terceira é o tamanho da renovação: com um pelotão tão apertado, é razoável esperar surpresas na ordem de chegada dentro de cada chapa.
Pesquisa é retrato, não profecia. O voto de domingo é que vale.
Ficha técnica
Pesquisa do Instituto Data Ranking, em parceria com a Fonte83, realizada de 16 a 18 de setembro de 2026, com 2.000 entrevistas em 81 municípios da Paraíba. Margem de erro de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE: PB-06927/2026. Divulgada em 30 de setembro de 2026. Pesquisa espontânea, em que o eleitor cita o nome sem ver uma lista.