Atividades de fiscalização de imigração em locais sensíveis, como escolas e igrejas, geram medo e impactam a vida de mais de 145 mil crianças americanas cujos pais foram detidos. Um estudo revela o profundo impacto dessas ações nas comunidades imigrantes.
Uma pesquisa recente aponta um cenário alarmante nos Estados Unidos: mais de **145 mil crianças americanas** tiveram um de seus pais detidos por órgãos de imigração desde janeiro de 2025. Esses dados, apresentados por Ashley Feasley da Iniciativa de Direito e Política de Imigração da Universidade Católica da América, destacam o alcance das políticas de imigração sobre famílias e comunidades.
O estudo, que entrevistou 49 organizações religiosas de diversas denominações, revelou que a fiscalização de imigração tem ocorrido em locais como tribunais, escolas e até mesmo próximo a igrejas. Essa presença constante gera um clima de medo generalizado e leva a mudanças comportamentais significativas entre os imigrantes.
De acordo com os pesquisadores, as crianças são triplamente afetadas: pela perda de um membro da família, pela insegurança financeira e pela desestabilização de suas rotinas diárias. O relatório, uma parceria entre a faculdade de direito da CUA e a Escola Nacional Católica de Serviços Sociais, detalha o impacto dessas ações em ministérios e famílias imigrantes.
Fiscalização em locais frequentados por crianças
A pesquisa identificou que 18 das organizações entrevistadas relataram atividades de fiscalização de imigração em escolas, creches ou serviços relacionados, ou em suas proximidades. Essa proximidade com ambientes que deveriam ser seguros para as crianças intensifica a sensação de vulnerabilidade.
O estudo também aponta que 82% das organizações pesquisadas notaram que ações de fiscalização, ou o medo delas, levaram clientes, membros da comunidade ou funcionários a alterar suas atividades diárias ou a buscar ajuda com menos frequência. Essa retração afeta o acesso a serviços essenciais.
Medo generalizado e suas consequências
Um dado alarmante é que 98% dos entrevistados afirmaram que seus clientes expressaram medo de deportação, detenção ou separação familiar. Essa apreensão constante impacta a saúde mental e o bem-estar das famílias imigrantes.
Além disso, 28 organizações, o que representa 58% do total, relataram atender clientes ou familiares imediatos que foram detidos pelas autoridades de imigração desde janeiro de 2025. Esses números são anteriores ao aumento mais recente na atividade de fiscalização.
O papel das comunidades religiosas e o que fazer
O bispo Brendan Cahill, presidente do Comitê de Migração dos bispos americanos, enfatiza a importância de colaborar e compartilhar mensagens para **mudar a cultura**, promovendo a visão da humanidade do imigrante. Ele destaca que, embora leve tempo, a mudança de perspectiva está ocorrendo.
Jenny Cachaya, da Rede Legal de Imigração Católica, sugere que o apoio pode ser simples, como acompanhar e apoiar vizinhos necessitados. Ela ressalta que não é preciso ser um especialista em imigração ou assistente social para fazer a diferença, bastando a disposição de intervir e apoiar.
Impacto em famílias de status misto
Segundo dados do Censo dos EUA, aproximadamente 18,4 milhões de crianças no país vivem com pelo menos um pai imigrante, o que sublinha a vasta extensão das políticas de imigração sobre a vida de muitas famílias. Crianças em famílias de status misto, onde alguns membros são cidadãos e outros não, experimentam os efeitos mais graves dessas ações.
Os pesquisadores planejam publicar um relatório formal com recomendações para formuladores de políticas e organizações de serviço, além de identificar práticas eficazes para ajudar as comunidades a responder às pressões da fiscalização de imigração.