Ativista relata perseguição e ameaças após intervenção em placa de rua: “Palestina Livre”
O ativista e candidato a deputado federal por São Paulo, Thiago Ávila, afirma estar sofrendo uma onda de perseguições e ameaças desde o último domingo (20). A situação teria se intensificado após ele colar um adesivo sobre a placa da rua Estado de Israel, em São Paulo, alterando temporariamente o nome da via para “Palestina Livre do Rio ao Mar”.
Segundo Ávila, as reações negativas incluem ataques em redes sociais, ameaças à sua família e até uma tentativa de arrombamento em seu comitê de campanha. Ele associou o incidente ao ato simbólico, que durou poucos minutos e cujo adesivo foi rapidamente removido, destacando a desproporcionalidade da resposta.
A campanha de Thiago Ávila informou que, apesar do aumento significativo nas buscas por seu nome no Google, a equipe optou por não registrar boletim de ocorrência sobre a tentativa de invasão. As informações foram divulgadas pela assessoria do candidato. Ávila, que já participou da flotilha global Sumud ao lado de Greta Thunberg e relatou ter sido preso e torturado por forças israelenses, tem como principais bandeiras a defesa da Palestina, a soberania dos povos, a proteção ambiental e a justiça social.
Críticas e acusações de vandalismo
Opositores políticos de Thiago Ávila o acusam de adotar uma postura provocadora, especialmente direcionada à direita que apoia o Estado de Israel. As críticas se intensificaram após o ataque terrorista de 8 de outubro de 2024, considerado o maior massacre de judeus desde a Segunda Guerra Mundial. A candidata a deputada pelo NOVO, Cris Monteiro, chegou a ameaçar acionar a Justiça contra Ávila por suposto vandalismo, alegação que o ativista nega veementemente.
Defesa da Palestina e antissionismo
Questionado sobre a alteração da placa, Thiago Ávila comparou a política israelense à segregação racial na África do Sul. Ele argumentou que a existência de uma rua em homenagem ao Estado de Israel em solo brasileiro pode ser interpretada como um endosso a um regime que, em sua visão, comete genocídio contra o povo palestino. Ele comparou a situação ao fim do apartheid na África do Sul, defendendo que o modelo de Estado colonial precisa acabar.
Repúdio ao antissemitismo
Thiago Ávila fez questão de repudiar as acusações de antissemitismo, definindo-se como “antissionista”. Ele ressaltou a importância de distinguir o antissionismo do ódio aos judeus, condenando o antissemitismo como uma prática criminosa no Brasil. A distinção é fundamental para o debate sobre o conflito e as diferentes visões políticas envolvidas.