Xi Jinping nos EUA: Encontro com Trump promete definir guerra comercial, Taiwan e tecnologia

Xi Jinping nos EUA: Encontro com Trump promete definir guerra comercial, Taiwan e tecnologia

Resumo

Xi Jinping desembarca nos EUA para encontro decisivo com Trump; guerra comercial, Taiwan e tecnologia em pauta

O presidente da China, Xi Jinping, iniciou nesta quarta-feira (23) uma visita de Estado de três dias aos Estados Unidos, com um encontro marcado para esta quinta-feira (24) com o presidente Donald Trump na Casa Branca. A reunião promete ser um divisor de águas para as relações bilaterais, abordando uma série de temas complexos.

A agenda inclui discussões sobre a guerra comercial, a questão de Taiwan, a disputa tecnológica e a influência chinesa no Irã. A recepção incomum de Trump a Xi Jinping na Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington, demonstra a importância diplomática deste evento.

Esta é a primeira visita de Estado de Xi aos EUA em mais de uma década, sinalizando um esforço para gerenciar as tensões crescentes entre as duas maiores economias do mundo. As conversas buscam estabilizar uma relação marcada por disputas comerciais, militares e tecnológicas, conforme informações divulgadas pela imprensa americana.

Guerra comercial e tarifas em foco

Um dos principais pontos de discussão será a trégua comercial, que expira em 10 de novembro. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, indicou que Washington está aberto tanto a prorrogar o acordo temporário quanto a negociar um entendimento comercial mais amplo com Pequim. Bessent se reuniu com o vice-premiê chinês, He Lifeng, para preparar o encontro entre os líderes.

Os Estados Unidos esperam que a China cumpra compromissos anteriores, como a ampliação das compras de produtos agrícolas americanos, estimada em pelo menos US$ 17 bilhões anuais entre 2026 e 2028. Por outro lado, Pequim busca a redução das restrições americanas que dificultam o acesso de suas empresas a tecnologias avançadas.

Taiwan: A questão mais delicada

A situação de Taiwan se apresenta como um dos temas mais sensíveis da reunião. A China considera a ilha democrática parte de seu território e se opõe às vendas de armas americanas. Xi Jinping deve pressionar Trump por uma redução ou interrupção desses fornecimentos.

Segundo a agência Reuters, Pequim também deseja uma mudança na retórica de Washington sobre a independência de Taiwan. O embaixador chinês nos EUA, Xie Feng, alertou que Taiwan está entre as “linhas vermelhas” que os EUA não devem cruzar, juntamente com direitos humanos e o sistema político chinês.

Terras raras e acesso à tecnologia

Washington pressionará por um maior acesso às terras raras e outros minerais críticos, essenciais para a fabricação de semicondutores e produtos tecnológicos, setores onde a China detém forte controle na cadeia de suprimentos. A disputa tecnológica, especialmente na corrida pela inteligência artificial, também estará em pauta.

Em contrapartida, a China pretende que os EUA aliviem restrições que impedem suas empresas de adquirir tecnologias avançadas. A inteligência artificial emerge como um campo onde pode haver espaço para acordos, com discussões em andamento sobre um sistema bilateral para comunicação sobre incidentes graves envolvendo IA.

Pressão sobre o Irã e direitos humanos

As relações de Pequim com o Irã também serão abordadas, com os EUA esperando que Xi pressione o regime iraniano economicamente. Trump também pretende cobrar de Xi a libertação de cidadãos americanos detidos na China, incluindo casos de perseguição religiosa, como solicitado por senadores americanos em carta bipartidária.

A agenda oficial desta quinta-feira inclui uma cerimônia de chegada na Casa Branca, declarações dos líderes e um jantar de Estado oferecido por Donald e Melania Trump ao presidente chinês e sua esposa, Peng Liyuan.

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