Viagem de Delcy Rodríguez aos EUA sugere que chavismo abandonou Nicolás Maduro, que enfrenta julgamento nos EUA
A recente viagem de Delcy Rodríguez, figura proeminente do regime chavista, aos Estados Unidos, levanta fortes indícios de que o governo de Nicolás Maduro pode estar sendo deixado de lado. A ausência de uma visita à prisão onde Maduro está detido em Nova York, apesar de estar na mesma cidade, e a menção velada à sua captura em um discurso na ONU, reforçam essa percepção.
Rodríguez, que proferiu um discurso na Assembleia Geral da ONU, optou por não mencionar o nome de seu antecessor, Nicolás Maduro, em sua fala. Essa omissão, juntamente com a falta de uma visita à prisão onde ele se encontra detido após uma operação militar americana em Caracas, sugere uma mudança significativa na estratégia do chavismo.
Apesar de o regime venezuelano continuar a arcar com os custos da defesa de Maduro nos Estados Unidos, onde ele responderá a acusações de narcoterrorismo, a visita de Rodríguez parece ter tido outros objetivos. A representação venezuelana em Nova York focou em discursos diplomáticos e encontros, sem demonstrar interesse em visitar o ex-líder, conforme informações divulgadas.
Tom conciliador e busca por novas relações diplomáticas
Durante seu discurso na ONU, Delcy Rodríguez fez uma breve referência a eventos que afetaram a Venezuela em 2026, descrevendo-os como “grandes e dolorosas provações”. Ela mencionou o “estrangulamento da política interna” e o confronto com os Estados Unidos, além de um duplo terremoto. A mandatária declarou que, apesar dessas dificuldades, “a Venezuela renasce”.
Em um tom notavelmente conciliador, Rodríguez expressou gratidão ao presidente Donald Trump e ao seu governo pela disposição em retomar as relações diplomáticas e de cooperação com a Venezuela. Ela destacou a importância do diálogo para resolver diferenças e pavimentar caminhos para cooperação em áreas como energia, segurança e combate ao crime transnacional.
Outros sinais de distanciamento de Maduro
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, outrora um forte opositor dos Estados Unidos e aliado de Maduro, também demonstrou uma mudança de postura. Cabello mencionou a captura de Maduro em 3 de janeiro de forma menos agressiva, reconhecendo a dificuldade em manter a união nacional após o evento.
Segundo informações da agência EFE, Cabello afirmou que o alto comando político e o partido governista trabalharam diariamente para manter a unidade. Ele também indicou que a voz da Venezuela nas Nações Unidas é representada por Delcy Rodríguez, sugerindo um consenso interno sobre a superação de Maduro.
Pressão americana e a busca por uma nova Venezuela
Fontes oficiais não identificadas, citadas pela agência Reuters, indicaram que o governo Trump havia advertido Cabello para não interferir no processo de transição venezuelano. Washington teria alertado que o ministro poderia se tornar um alvo se não colaborasse com Rodríguez para atender às exigências dos EUA e manter a ordem após a queda de Nicolás Maduro.
A colunista Beatriz Arias, do jornal venezuelano El Nacional, interpretou o discurso de Rodríguez na ONU como uma “virada de página” em relação às eras de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Arias destacou a omissão dos nomes de ambos os líderes como um sinal inequívoco para investidores internacionais de que a era da “personalização messiânica do poder chegou ao fim”.
Questões pendentes e o futuro da Venezuela
Apesar dos sinais de mudança, questões cruciais permanecem em aberto. A soltura de presos políticos ainda detidos na Venezuela e a realização de eleições livres são desafios que o novo curso político precisará enfrentar. A busca por um novo caminho para a Venezuela parece ter se iniciado, mas o percurso ainda é incerto.