Análise do Senado na Paraíba: João Azevêdo, Veneziano Vital do Rêgo e Nabor Wanderley

Análise: Nabor encosta em Veneziano e o Senado da Paraíba se decide no segundo voto

Com João Azevêdo na frente, a vaga que está em jogo no Senado da Paraíba é a segunda, e Nabor Wanderley encostou em Veneziano Vital do Rêgo. Veja a leitura do Jogo Político sobre as pesquisas Quaest e Data Ranking.

Resumo

Análise do Senado na Paraíba: João Azevêdo, Veneziano Vital do Rêgo e Nabor Wanderley

Faltam três dias para a eleição, e a disputa pelo Senado na Paraíba tem uma característica que costuma passar despercebida: o eleitor vota duas vezes, e as duas escolhas não funcionam da mesma forma. É no segundo voto que a eleição se move, e é lá que Veneziano Vital do Rêgo e Nabor Wanderley travam a disputa que pode decidir a segunda vaga. A seguir, uma leitura dos números das duas pesquisas mais recentes.

O que dizem as pesquisas

A Quaest, que separa o primeiro do segundo voto, mostra um retrato muito nítido. No primeiro voto, João Azevêdo tem 42%, Veneziano 16%, Marcelo Queiroga 10% e Nabor 8%, com 10% de indecisos. No segundo voto, a ordem muda: Veneziano lidera com 20%, Nabor aparece em segundo, com 15%, João cai para 13% e Queiroga e Major Fábio ficam com 4% cada.

O Data Ranking, que apresenta a soma dos dois votos, chega a um cenário muito parecido: João Azevêdo com 58,1%, Veneziano com 40,1%, Nabor com 20,8%, Marcelo Queiroga com 11,5% e Major Fábio com 9,4%.

Vale fazer a conta que as duas pesquisas permitem. Somando primeiro e segundo voto na Quaest, João fica com 55%, Veneziano com 36%, Nabor com 23% e Queiroga com 14%. Ou seja, dois institutos, com metodologias diferentes, contam praticamente a mesma história. Isso dá mais robustez ao retrato.

Por que o segundo voto é o que importa

João Azevêdo tem 42% no primeiro voto e apenas 13% no segundo. Na análise eleitoral, esse é o retrato de um candidato de voto único: quem vota nele tende a concentrar a escolha ali e a distribuir o segundo voto para outro nome. Como ele aparece com folga na primeira posição em todos os cenários, a pergunta decisiva deixa de ser quem lidera e passa a ser outra: para quem vai o segundo voto do eleitor de João?

É aí que Veneziano e Nabor se encontram. Veneziano chega com a vantagem de quem é senador, tem estrutura consolidada e alta lembrança de nome. Nabor chega com o argumento do movimento: ex-prefeito de Patos, com base no Sertão, é o candidato que mais cresceu no período.

A trajetória de cada um

No Data Ranking, a evolução é o dado mais importante. Em maio, o instituto media Veneziano em 47,4% e Nabor em 8,9%, uma distância de 38,5 pontos. Na pesquisa de setembro, Veneziano aparece com 40,1% e Nabor com 20,8%. A distância caiu para 19,3 pontos, metade do que era. Nabor ganhou quase 12 pontos, e Veneziano perdeu 7. Para um cenário de poucas semanas de campanha, é um movimento grande.

Na Quaest, a diferença no segundo voto entre os dois é de 5 pontos, 20% contra 15%. Com margem de erro de 3 pontos para cada número, é uma diferença que a pesquisa não permite tratar como definitiva. Não é um empate perfeito, mas é uma vantagem curta o bastante para que o resultado de domingo possa ir para qualquer lado.

A direita dividida

Há um quarto elemento que pesa na conta. Marcelo Queiroga e Major Fábio dividem o espaço do eleitorado mais à direita: 11,5% e 9,4% no Data Ranking, 14% e 7% na soma dos votos da Quaest. Esse voto pulverizado é, em tese, o reservatório mais disputado da reta final. Se parte dele migrar para um dos dois nomes que estão na briga pela segunda vaga, o equilíbrio pode mudar. Se continuar disperso, tende a beneficiar quem já está à frente.

O que muda nos últimos dias

Na reta final, o eleitor que ainda não decidiu o segundo voto costuma ser influenciado por três coisas: a orientação de lideranças locais, a percepção de quem tem chance real de vencer e a lembrança do nome na hora de digitar na urna. Em uma eleição com dois votos, o chamado voto útil funciona de modo diferente: o eleitor se sente livre para dar o primeiro voto por afinidade e o segundo por cálculo, escolhendo entre os que considera competitivos.

Um lembrete prático para o eleitor: os dois votos precisam ser em candidatos diferentes. Repetir o número anula o segundo voto.

Em resumo, o retrato mostra João Azevêdo com a primeira vaga bem encaminhada, Veneziano ainda à frente na disputa pela segunda e Nabor com a melhor curva de crescimento. Pesquisa é retrato, não profecia. A resposta definitiva vem das urnas no domingo.

Ficha técnica

Quaest: 804 entrevistas realizadas de 18 a 21 de setembro de 2026, margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95%, registro no TSE PB-01325/2026. Data Ranking/Fonte83: 2.000 entrevistas em 81 municípios da Paraíba, realizadas de 16 a 18 de setembro de 2026, margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95%, registro no TSE PB-06927/2026, divulgada em 25 de setembro de 2026.

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