Governistas da CPMI do INSS questionam relevância de documentos de Daniel Vorcaro para a investigação
Parlamentares da base aliada que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS analisaram na última segunda-feira, 16, os documentos obtidos através da quebra de sigilo bancário de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O grupo avaliou que as informações referentes ao empresário não apresentam um vínculo direto com os objetivos centrais da comissão.
O material, que se encontra sob guarda em uma sala-cofre, foi examinado com atenção pelos membros da CPMI. A percepção inicial, conforme relatado por alguns parlamentares, é de que grande parte dos dados, embora volumosa, carece de relevância investigativa para o escopo do colegiado.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), por exemplo, comunicou a jornalistas que não encontrou provas que ligassem Daniel Vorcaro diretamente ao foco da investigação da CPMI do INSS. Ele ressaltou a ausência de registros sobre crédito consignado ou descontos associativos relacionados ao INSS. Dessa forma, o governo sinaliza que o material de Vorcaro pode contribuir pouco para o avanço dos trabalhos da comissão, conforme divulgado pelo Café com a Gazeta do Povo.
Banco Master é apontado como possível ‘lavanderia’ de dinheiro do PCC
Em paralelo, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, trouxe à tona novas e graves alegações sobre o Banco Master. Em entrevista ao SBT News no último domingo, 15, o parlamentar indicou que as investigações sugerem que a instituição financeira opera como uma “lavanderia” de dinheiro, com indícios de movimentação de recursos ilícitos provenientes do PCC, a facção criminosa Primeira Comando da Capital.
Vieira detalhou que o suposto esquema envolveria o uso de diversos fundos em cadeia para lavar dinheiro de múltiplas origens. “A gente avança com muito cuidado para não cometer injustiças, mas já é muito evidente que tem ali uma aparente lavanderia”, declarou o senador. As investigações, segundo ele, focam em pagamentos a autoridades, servidores de carreira, políticos e no fluxo financeiro destinado a parentes de magistrados.
Código de Ética do Banco Master e relações com o STF
O Banco Master, em sua defesa, tem enfatizado o compromisso com a integridade e a transparência, citando a publicação de seu Código de Ética e Conduta. Curiosamente, o documento contou com a assinatura do então controlador, Daniel Vorcaro, e foi elaborado pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A autoria do material é atribuída à cunhada do ministro, Ana Claudia Consani de Moraes.
O código, com 34 páginas e datado de 24 de março de 2025, descreve práticas proibidas, estabelece parâmetros de relacionamento com autoridades públicas e define regras para prevenir lavagem de dinheiro e conflitos de interesse. No preâmbulo, Daniel Vorcaro reitera que ética e transparência são os “pilares fundamentais” da instituição financeira, conforme informações divulgadas pelo Café com a Gazeta do Povo.
Investigações avançam com cautela e foco em autoridades
A investigação sobre o Banco Master segue em andamento, com o objetivo de apurar a extensão das supostas atividades ilícitas. O senador Alessandro Vieira reforçou que o trabalho está sendo conduzido com extrema cautela para garantir a precisão das apurações e evitar injustiças. O foco principal recai sobre o fluxo de caixa e os repasses financeiros suspeitos.
Os dados sobre repasses financeiros a familiares de ministros do STF, mencionados pelo relator, adicionam uma camada de complexidade e sensibilidade às investigações. A CPMI do INSS, por sua vez, continua seu trabalho focada em fraudes previdenciárias, enquanto a CPI do Crime Organizado aprofunda as apurações sobre o Banco Master e suas alegadas conexões com o crime organizado.