Ex-Comandante da FAB Alerta: Brasil em "Luz Vermelha" na Defesa, Crise e Falta de Investimentos Preocupam

Ex-Comandante da FAB Alerta: Brasil em “Luz Vermelha” na Defesa, Crise e Falta de Investimentos Preocupam

Resumo

Ex-Comandante da FAB alerta para “luz vermelha” na defesa brasileira e critica falta de investimentos

O Brasil enfrenta uma deterioração gradual de sua capacidade militar, entrando em um momento de “luz vermelha” diante das mudanças no cenário geopolítico internacional. Essa avaliação é do ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, em entrevista ao Estadão.

Baptista Júnior descreve a situação como um alerta devido a conflitos globais e a possibilidade de novas guerras na América Latina, ressaltando que as Forças Armadas não estão minimamente preparadas para conflitos modernos, com um grau de dissuasão militar muito reduzido.

Segundo o brigadeiro, a capacidade militar do país não acompanha as necessidades estratégicas, sendo incompatível com a proteção do Brasil. A perda de capacidade de dissuasão, que ocorre há décadas, é atribuída a restrições orçamentárias e falhas estruturais, conforme divulgado pelo Estadão.

Reestruturação Urgente do Sistema de Defesa é Necessária

O ex-chefe da Aeronáutica defende que o problema vai além do volume de recursos e exige mudanças institucionais no sistema de defesa. Ele propõe a criação de um comando conjunto mais forte para coordenar Marinha, Exército e Aeronáutica, unificando o planejamento operacional.

Baptista Júnior avalia que o modelo atual ainda reflete estruturas anteriores à criação do Ministério da Defesa em 1999, o que limita a coordenação estratégica. Sua proposta visa um Estado-Maior conjunto com precedência hierárquica, concentrando o planejamento das Forças Armadas.

Falta de Percepção de Ameaças Complica o Cenário Brasileiro

O militar critica a falta de percepção de risco no Brasil, onde a classe política e a sociedade não priorizam a defesa nacional. A relativa estabilidade na América do Sul nas últimas décadas contribuiu para essa desatenção, segundo ele.

“A América do Sul tem sido caracterizada como uma região de paz prolongada”, afirmou Baptista Júnior, destacando que o último conflito armado no Brasil foi a Guerra da Tríplice Fronteira no século 19. Isso gerou uma baixa percepção de que o país pode ser ameaçado por outras nações ou atores não estatais.

Contudo, o ambiente internacional mudou, com conflitos recentes e transformações nas estratégias de segurança global exigindo maior atenção do Brasil. O ex-comandante também expressou preocupação com o emprego das Forças Armadas no combate ao crime organizado, defendendo que sua função principal deve permanecer voltada à defesa externa para evitar riscos institucionais.

Posição sobre Tentativa de Golpe e Cenário Político

Baptista Júnior comentou sua atuação como testemunha na investigação sobre a suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022. Ele reiterou que manteve o alto comando da Aeronáutica informado e sempre defendeu a legalidade.

O ponto mais grave, segundo ele, foi a tentativa de quebrar a unidade entre as três Forças Armadas, algo que classificou como extremamente sério para qualquer instituição militar. Ele relatou ter sofrido ataques em redes sociais por sua posição.

Sobre o cenário político, o brigadeiro pretende votar em um candidato de direita em 2026, mas não apoia nem Lula nem Flávio Bolsonaro, buscando alternativas fora da polarização. Ele considera Flávio Bolsonaro “ponderado” e com mais potencial entre os filhos do ex-presidente, mas não o vê preparado para ser presidente.

O ex-comandante acredita que o Brasil precisa superar a disputa entre dois “populismos”, descrevendo populistas como egoístas e focados em interesse próprio e manutenção de poder, em detrimento do interesse público.

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