
A reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados entrou em fase de contagem de apoios. O paraibano negocia com líderes de ao menos 15 legendas que vão compor a Casa a partir de fevereiro de 2027, mas enfrenta resistência em dois partidos da oposição: o Novo e uma ala do PL.
Quem já está com Motta
PT, PCdoB e PV anunciaram apoio ao atual presidente. Antes deles, já haviam declarado apoio Republicanos, PSD, MDB, Podemos, PSB, PDT e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD. Somados, os partidos reunidos em torno de Motta chegam a 361 deputados eleitos para a próxima legislatura.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), classificou a composição como estratégica para os próximos quatro anos. O partido, porém, condiciona sua presença no bloco a que PL e Novo fiquem de fora, o que reduziria a participação da oposição na divisão da Mesa Diretora e das comissões.
Novo terá candidato próprio
O Novo anunciou nesta terça-feira (3) que terá candidatura própria à presidência da Câmara e que não apoiará a reeleição de Motta “em nenhuma hipótese”. Em nota, a legenda fala em uma “alternativa comprometida com a independência do Poder Legislativo”. O nome ainda não foi definido. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
PL dividido
O PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027, com 121 deputados, seguido pelo PT, com 70. Depois de reunião na sede do partido em Brasília, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que a legenda lance nome próprio. Para ele, apoiar Motta significaria abrir mão da identidade do partido, já que, na avaliação do deputado, o presidente da Câmara se aproximou do presidente Lula.
Nikolas, cotado internamente para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), afirmou que prefere abrir mão do posto a apoiar a recondução. Ele citou como possíveis candidatos do PL os deputados Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada.
Outra ala do partido vê na composição com Motta a forma de garantir espaço para a oposição na Mesa e nas comissões. A prioridade da direção, comandada por Valdemar Costa Neto, é a presidência do Senado, onde o PL deve lançar Rogério Marinho (PL-RN). Segundo informações de bastidores, o apoio na Câmara pode entrar como moeda de negociação.
Leitura do Jogo Político
Motta larga com ampla vantagem na soma de partidos e com o apoio do governo e do Centrão. A decisão do PL é o que vai definir o tom da disputa: com candidato próprio, a eleição ganha um confronto direto entre governo e oposição; sem ele, a recondução do paraibano tende a ser tranquila, e a briga se desloca para a divisão das comissões.