Relator do TSE vota para barrar candidatura de Cícero Lucena ao Governo da Paraíba

Relator do TSE vota para barrar candidatura de Cícero ao Governo da Paraíba

Candidatura de Cícero Lucena em julgamento no TSE: relator vota pelo indeferimento a dois dias da eleição. Defesa nega irregularidades.

Resumo

Relator do TSE vota para barrar candidatura de Cícero Lucena ao Governo da Paraíba

A dois dias do primeiro turno, a candidatura de Cícero Lucena (MDB) ao Governo da Paraíba passou a ser julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesta sexta-feira (2), o relator do caso, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, votou pelo indeferimento do registro do candidato. No início da tarde, outro ministro já havia acompanhado o relator, e o placar estava em 2 a 0, com cinco votos ainda por vir.

O julgamento acontece no plenário virtual da Corte, em que os ministros registram seus votos no sistema dentro de um prazo. A sessão está prevista para terminar às 23h59 desta sexta.

O que diz o relator

O caso chegou ao TSE por meio de um recurso do Ministério Público Eleitoral contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), que havia rejeitado a ação de impugnação do registro de Cícero.

No voto, Cueva entendeu haver elementos suficientes de que a facção criminosa Nova Okaida usou seu domínio territorial e sua capacidade de coerção em benefício da candidatura do MDB. Segundo o ministro, o processo aponta um padrão de negociações com grupos criminosos que teria se repetido nas eleições de 2020 e 2024, em troca de vantagens que só poderiam ser oferecidas por quem ocupa cargo de autoridade. Para o relator, isso afronta a proibição constitucional à participação de organizações paramilitares no processo eleitoral.

O processo tramita sob sigilo, o que limita o acesso aos detalhes das provas analisadas.

O que diz a defesa

Os advogados de Cícero sustentam que ele nunca foi denunciado formalmente nem tem condenação criminal, e que qualquer restrição a direitos políticos exige comprovação judicial. A defesa pediu que o processo seja retirado do plenário virtual e levado ao plenário presencial, para que possa fazer sustentação oral diante dos ministros.

Em nota, a campanha afirmou que ainda não teve acesso completo ao voto do relator e reafirmou confiança na lisura da candidatura.

O que pode acontecer agora

Há dois caminhos imediatos. Se o pedido da defesa for aceito, a análise sai do plenário virtual e o desfecho tende a ficar para depois. Se o julgamento for concluído nesta sexta com maioria pelo indeferimento, a candidatura deixa de ser considerada regular. Nesse caso, Cícero perde a condição de candidato sub judice e fica impedido de fazer atos de campanha e de usar recursos públicos de campanha.

Como as urnas já estão preparadas, o nome e o número de Cícero continuam aparecendo para o eleitor no domingo (4). Pela legislação, porém, votos dados a candidato com registro indeferido não são contados como válidos para ele. O efeito prático vai depender de como o julgamento terminar e de eventuais recursos.

Leitura de cenário

O julgamento cai como um fato novo na reta final de uma campanha que já estava encerrada no rádio e na TV. Cícero, ex-prefeito de João Pessoa, disputa o Governo contra Lucas Ribeiro (PP) e Efraim Filho (PL), entre outros nomes. Uma decisão definitiva antes de domingo pode mudar o cálculo do eleitor que ainda estava em dúvida, enquanto um adiamento mantém a disputa nos moldes atuais até a abertura das urnas.

O Jogo Político PB acompanha o julgamento e atualiza as informações assim que o TSE concluir a votação.

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